Automação fracassada: 3 padrões que se repetem sempre
Toda automação fracassada que analisamos cai em um dos três padrões abaixo. Já fizemos mais de 200 engajamentos onde times ou escolheram nós ou escolheram outra pessoa e voltaram seis meses depois. O grupo de “voltaram depois” é onde estão as lições. Tinham iniciativas de automação fracassadas. Identificamos padrões.
Padrão um: automatizar na camada errada
A falha mais comum: times automatizam a EXECUÇÃO de um processo antes de descobrir se o processo deveria existir.
Exemplo que vemos toda semana: uma cadeia de aprovação manual envolvendo 5 pessoas, cada uma carimbando antes da próxima poder agir. O instinto é automatizar o fluxo. O movimento certo é perguntar por que todos os 5 carimbos são necessários. Em geral 2 ou 3 são vestigiais — existem porque alguém se queimou em 2019 e ninguém removeu a regra.
Automatize na camada errada e você encode a disfunção em software, onde fica 10x mais difícil de consertar. É o que Business Process Re-engineering sempre alertou — mas que costuma ser pulado por pressa.
Padrão dois: “tratamos as exceções depois”
Toda automação fracassada que vimos tinha essa frase no kickoff. O time começa pelo happy path, lança, e aí as exceções acumulam mais rápido do que conseguem processar.
No mês 6, o time gasta mais tempo tratando exceções do que o processo manual teria levado. Desistem e desativam a automação.
Padrão contraintuitivo que funciona: lance o tratamento de exceções primeiro, happy path depois. Acerte o plantão, acerte o monitoramento de erros, acerte o rollback. Aí automatize o happy path em cima dessa fundação. O time terá o músculo para manter.
Padrão três: ambiguidade de ownership
Quando a automação quebra, quem conserta? Se a resposta é “a gente vai dar um jeito”, a automação já está numa curva de decaimento de 6 meses.
Exigimos que todo workflow em produção tenha um dono humano nomeado com responsabilidade de plantão sobre ele. Não um time. Uma pessoa. Essa regra única elimina 70% da podridão de automação que vimos em vários projetos de workflow. Toda automação fracassada que vimos quebrava em pelo menos um desses três pontos — e quase nunca por motivo técnico.